O álcool é um depressor do Sistema Nervoso Central que afecta as capacidades psicofisiológicas mesmo se ingerido em pequenas quantidades. Do álcool ingerido apenas 5% é eliminado directamente, passando o restante para a corrente sanguínea através das paredes do estômago e da parte superior do intestino delgado. Este é transportado pelos vasos sanguíneos para diversos orgãos, passando pelo fígado que o decompõe apenas a uma média de 0,1 g/l por hora. Ao atingir o cérebro o álcool afecta progressivamente as capacidades físicas e psíquicas, afectando assim de forma negativa a condução. Os efeitos ocorrem logo a seguir à ingestão da bebida alcoólica, sendo o processo de absorção de 60 a 70 minutos, atingindo um valor máximo de 1/2 a 2 horas. O seu processo de eliminação não só é lento como poderá ser perturbado por substância e factores que atrasam as funções do fígado ou potenciam o seu efeito nocivo, como sejam, o café, o chá, o tabaco, certos medicamentos e a fadiga.
A Taxa de Alcoolemia no Sangue (TAS) exprime-se por gramas de álcool puro num litro de sangue, podendo o seu valor ser influenciado por diversos factores. A mesma quantidade de álcool ingerido por diferentes pessoas pode originar TAS diferentes devido a factores pessoais. As pessoas mais pesadas apresentam TAS mais baixas comparativamente às com menos peso, os adolescentes têm uma menor capacidade metabólica face ao álcool do que os adultos e as mulheres têm menores defesas do que os homens dado possuírem menor quantidade de água no corpo. Para além disso as crianças, filhos de alcoólicos, epilépticos, doentes do aparelho digestivo, etc., têm uma maior sensibilidade ao álcool, aumentando também esta com o estado de fadiga, alguns estados emocionais, certos medicamentos, mudanças bruscas de temperatura, a pressão atmosférica e a gravidez. As formas de absorção também afectam a TAS, sendo esta mais elevada quando o consumo é maciço, rápido e em jejum (esta é aumentada em cerca 1/3 quando a ingestão é feita de estômago vazio). O grau alcoólico das bebidas e o facto de serem gaseificadas ou aquecidas, sendo neste caso mais rápida a sua absorção, influenciam igualmente a TAS. Portanto é necessário ter atenção pois na realidade não se tem, normalmente, a noção de quando se ultrapassou realmente o ponto em que já não se está em condições de se efectuar a condução de forma segura.
Ao afectar o Sistema Nervoso Central o álcool provoca os seguintes EFEITOS que prejudicam a condução:
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Audácia incontrolada: estado de euforia, sensação de bem-estar e optimismo, e sobrevalorização das próprias capacidades, as quais se encontram diminuídas;
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Perda de vigilância em relação ao meio envolvente: as capacidades de atenção e concentração ficam diminuídas;
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Perturbação das capacidades sensoriais: redução da acuidade visual, alteração dos contornos dos objectos, incapacidade de avaliar correctamente distâncias e velocidades, redução da visão nocturna e crepuscular, aumento do tempo de recuperação após encadeamento e estreitamento do campo visual, com eliminação progressiva da visão periférica que poderá chegar à visão em túnel com o aumento das quantidades de álcool:
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Perturbação das capacidades perceptivas: a informação recebida pelos orgãos dos sentidos é identificada mais lentamente, sendo esta prejudicada;
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Aumento do tempo de reacção: dificuldade na tomada de decisão da resposta motora adequada e na sua concretização, aumentando a distância de reacção e consequentemente a distância de paragem do veículo;
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Lentificação da resposta reflexa;
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Diminuição da resistência à fadiga: o estado de euforia inicialmente provocado pelo álcool dá lugar a uma intensa fadiga que pode chegar ao entorpecimento, potenciando também o estado de fadiga quando este já se faz sentir;
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Descoordenação Psicomotora: travagens bruscas desnecessárias, grandes golpes de volante, manobras feitas com recurso ao acelerador e outros comportamentos desajustados a uma condução segura;
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Alteração dos estados emocionais: os problemas mesmo que pequenos poderão levar a estados de agressividade, frustração, depressão ou outros que se transferem para a condução contendo riscos inerentes.











