Existe uma série de motivos que fazem com que as pessoas recorram ao uso e/ou abuso de substâncias, entre os quais: descontraírem-se e sentirem-se libertas de inibições (e.g. álcool); ser aceite por um grupo de amigos; libertarem-se das preocupações; divertirem-se mais a dançar (e.g. ecstasy); ficarem acordadas toda a noite (e.g. para estudar); serem rebeldes (e.g. tabaco, cannabis); relaxarem e sentirem-se despreocupadas; conseguirem dormir (e.g. tranquilizantes).
Por norma, a iniciação ao consumo está associada a uma determinada rebeldia, curiosidade e/ou comportamento transgressor, marcada por uma oposição aos valores morais e normativos da maioria da sociedade, e pela exploração de sensações e emoções de elevada intensidade e mesmo risco que os comportamentos limite e a intoxicação induzem. Constituindo a adolescência uma etapa evolutiva para a aquisição e estruturação da identidade, correspondendo a um período em que a pessoa tenta encontrar-se a si própria, torna-se necessário garantir-lhes as melhores condições para que os objectivos pretendidos sejam alcançados de uma forma construtiva. A procura de identidade é também a procura da individualidade, pelo que o jovem procure novos grupos de referência que não somente o familiar, nomeadamente o grupo de amigos. São estes que passam a transportar os valores, atitudes e comportamentos que o jovem adopta como orientadores das suas experiências e escolhas.
O consumo de substâncias psicoactivas surge, desta forma, como objecto socializador e auxiliador de todo este processo de autonomia face à família, de compensação de expectativas precocemente frustradas, recusa de responsabilidades, etc. Sendo que a droga e sua utilização fazem já parte da história da Humanidade e sendo a adolescência uma etapa caracterizada pela curiosidade e recorrência a experiências de risco como situações de referência para a construção da identidade, não podemos rejeitar que a representação e divulgação que as substâncias psicoactivas alcançaram nos dias de hoje se tornam atractivas.
Ao entendermos o processo de adolescência facilmente poderemos entender porque, e de acordo com vários estudos, o consumo de álcool (droga legal livremente comercializada, de parca fiscalização) está a aumentar significativamente nas gerações mais jovens. Contudo, deveríamos entender os jovens não só como pessoas a vivenciar uma fase transitória de intensas transformações e construções, mas também como seres sociais sujeitos a pressões como o acesso, venda e publicidade que induz fortemente à adesão de tais comportamentos e valores.
Para além desta natural curiosidade e rebeldia juvenis, outros factores de co-morbilidade como ansiedade, depressão, personalidade anti-social, distúrbios alimentares, violência familiar / maus tratos físicos e psicológicos, entre outros, podem desencadear o consumo destas substâncias.
Se, por um lado, há que ter em consideração uma perspectiva realista, sem preconceitos ou exageros, acerca desta problemática em que apesar dos riscos, a maioria das drogas produz sensações agradáveis; o consumo de substâncias ilegais pode não significar abuso ou conduzir obrigatoriamente a outra mais prejudicial; por outro lado, e ainda que a compreensão dos riscos não impede que os jovens as experimentem, alguns estes são capazes de tomar decisões responsáveis acerca das drogas.
Todavia, é perfeitamente natural que os Pais se preocupem com o consumo das substâncias psicoactivas por parte dos seus filhos e jovens adolescentes por recearem pela sua saúde e segurança; temerem repercussões legais, dado poder ser-se preso caso seja apanhado com drogas ilegais; terem preconceitos (e.g. drogas leves conduzem inevitavelmente às duras; más companhias); crenças morais e religiosas, salientando-se que enquanto não houver uma mudança do paradigma social relativamente à sexualidade e às drogas (tema ainda tabu e de abordagem reticente ou difícil para a maioria de pais e educadores), traduzido numa educação para a sexualidade e comportamentos/estilos de vida saudáveis dificilmente se conseguirá que os jovens não deixem de passar por estas experiências na sua maioria nefastas a prazo.
Na verdade, há factos a considerar relativamente às substâncias psicoactivas que fazem temer mesmo os Pais mais liberais: os efeitos das drogas são imprevisíveis, podem chegar a matar; consumir drogas é um salto no escuro, havendo boas e más trips; as drogas provocam perturbações físicas e psíquicas – uma má trip pode provocar danos irreversíveis para o resto da vida; nunca se pode ter a certeza do que contém uma dose; pode-se ficar dependente e / ou viciado em muitas drogas; quando se é mentalmente instável, as drogas agravam o problema, podendo desencadear doenças mentais (esquizofrenia, estados paranóides, depressão, etc.). Não nos esqueçamos, todavia, que a adição é uma condição sintomática crónica, que necessita ser tratada, sendo essencial para uma recuperação bem sucedida o suporte biopsicossocial, o empenho e responsabilização dos próprios doentes.











