As práticas sexuais são iniciadas em idade precoce, ocorrendo frequentes relações sexuais ocasionais, que conjugadas com comportamentos de risco (relações sexuais sob o efeito do álcool ou outras drogas) condicionam a gravidez na adolescência, a qual provoca alterações na transformação que já vem ocorrendo de forma natural. Portugal é o segundo país da União Europeia com maior taxa de mães adolescentes (15,6%), sendo que em 2002, uma em cada 16 mulheres que se tornaram mães tinham menos de 19 anos. Uma em cada seis jovens entre os 15 e 19 anos com vida sexual activa não utilizam qualquer método contraceptivo, 16% das adolescentes. Por seu lado o recurso à pílula do dia seguinte aumenta à medida que a idade diminui, tendo 33% das adolescentes já recorrido a este método de emergência.
A gravidez na adolescência, especialmente até aos 16 anos de idade, apresenta riscos físicos, psíquicos e sociais, por vezes graves. As mães adolescentes (menores de 20 anos) têm maior probabilidade de dar à luz prematuramente, correndo estes bebés um elevado risco de problemas de saúde, como baixo peso, sendo também a morbilidade materna e fetal tanto maior quanto menor for a idade da grávida. Estes riscos devem-se igualmente aos maus hábitos alimentares das mães, ao facto de estas fumarem, beberem álcool ou consumirem outras drogas. A probabilidade das mães adolescentes morrerem devido a complicações durante a gravidez também duplica, podendo estas ser parto prematuro, anemia ou tensão arterial elevada, para além de um grande número contrair infecções sexualmente transmissíveis, sendo no entanto estas que compõem o grupo em que há menor probabilidade de receber assistência médica pré-natal no início da gestação e de forma regular.
Para além das mudanças físicas e emocionais, na adolescência à gravidez acrescem questões psicossociais e falta de apoio que podem torná-la numa experiência traumática e promotora de exclusão social. O surgimento da gravidez pode dificultar a relação com os pais, e consigo própria, pela necessidade de inclusão da gravidez e da maternidade nos seus projectos e interesses de adolescente, havendo um receio de alterações no relacionamento com o namorado e com o seu grupo de amigos, e consequente dificuldade em encontrar um espaço para falar dos medos e dúvidas relativamente à situação vivida. A vida da mãe adolescente e do bebé tendem a ser difíceis devido à sua tendência para o abandono escolar, sendo que sem educação adequada é provável que esta não possua as capacidades necessárias para conseguir um trabalho e conservá-lo, tendo uma maior probabilidade de viver na pobreza. Ou se não desenvolveram as capacidades para uma boa maternidade, e se carecem de sistemas sociais que as ajudem a lidar com o stress de criar um filho. O bem-estar afectivo é muito importante para a jovem grávida e para o bebé.
A sexualidade deverá ser também vivida segundo um conjunto de responsabilidades perante si e perante a sociedades em geral, devendo a gravidez ser evitada e planeada. Consulte o Médico de Planeamento Familiar no Centro de Saúde para mais informações e esclarecimentos.











