De acordo com Marc Schuckit (Abuso de álcool e drogas, 1998), o consumo da maioria das substâncias e da intensidade de consumo situa-se entre a 11-13 anos e os 20 e poucos anos, tendendo a decrescer ao longo da vida. Tal poderá ser explicado por estas fases da adolescência e jovem adulto serem períodos de confronto com regras estabelecidas e em que a sensação de invulnerabilidade e de maior sensibilidade às rivalidades (grupos) são mais fortes. E se a maioria dos consumidores começa com cafeína, nicotina e álcool, é pela facilidade com que obtêm estas substâncias e seu baixo custo. Quanto mais velho, mais emocional e psicologicamente estruturado, não sendo obrigatoriamente axiomático que se continuar a experimentar drogas entre numa escalada gradual de derivados de cannabis, misturas de estimulantes e/ou alucinogénios, passando para os opiáceos.
Substâncias Psicoactivas
Heroína
A heroína é uma substância psicoactiva aditiva processada a partir da morfina, substância extraída da semente de papoila, tendo uma acção depressora (funcionando como um poderoso analgésico e abrandando o seu funcionamento) sobre o Sistema Nervoso Central e uma das que mais problemas gera a nível mundial, estimando-se em cerca de 15 milhões de consumidores de opiáceos (heroína, morfina e ópio) no mundo e 750.000 consumidores de droga injectada na Europa, uma das grandes responsáveis da disseminação de HIV, Hepatite C e B e Tuberculose. Saliente-se que os opiáceos, ou policonsumo com opiáceos, ainda constituem a principal droga ilícita entre os pacientes que procuram tratamento nos principais países europeus e em Portugal. Todavia, o consumo de heroína parece tender para a estabilização ou mesmo diminuição em detrimento da cannabis, anfetaminas ou cocaína.
Cocaína
"Há uma pessoa que tens de conhecer. Chama-se Charlie (nome de rua para cocaína) e aparece nas melhores festas. É o rei dos clubes de Londres e Nova Iorque, dá-se com estrelas e celebridades, tem inúmeros contactos em Wall Street e é praticamente amigo de toda a gente da TV. Quando estás com o Charlie sentes-te o máximo e quando ele se vai embora é o abandono total. Ele é cool. Trata-o com respeito."
in This is Cocaine, Nick Constable
Ecstasy e Drogas Sintéticas
"As pessoas consomem pastilhas, shoots, coca, qualquer coisa, para se afirmarem como pessoas independentes, quando começam a sair sem os pais... Banalização porque cada vez há mais oferta e drogas diferentes e cada vez há mais pessoas a consumir de uma forma cada vez mais banalizada. Nas festas encontram-se crianças – porque são – de 12/13 anos que já abusam... Trata-se de um conjunto de práticas tóxicas que se traduzem em actividades que visam possibilitar os meios para alterar os estados de consciência e de humor. Estes meios passam pelas pastilhas de ecstasy, mas também pela conjugação de outras substâncias (policonsumos): cocktails de medicamentos com ou sem bebidas alcoólicas. Apenas uma parte dos consumidores não combina substâncias. Mas (como diz um dos entrevistados), nestas práticas o que importa é "encher a cabeça"!"
in O Universo do Ecstasy, Susana Henriques
Cannabis
Usados desde pelo menos 2.700 A. C., os canabinóides são compostos derivados da planta Cannabis Sativa, cujo componente activo THC (delta-9-tetra-hidrocanabinol) causa alterações fisiológicas e psicológicas, sendo os efeitos predominantes a euforia e alteração do nível da consciência, sem alucinações. O facto de esta substância psicoactiva afectar o SNC, e de ser usada mais intensamente no final da adolescência quando o cérebro e o sistema reprodutor ainda estão em formação, gera preocupações legítimas.












