- Incrementar a percepção social do risco
- Reforçar a multi-sectorialidade
- Promover uma cultura de prevenção
Torres Vedras, 7 de Abril de 2008 – Embora os dados sobre consumo de substâncias lícitas e ilícitas não sejam muito alarmantes (o número de consumidores é inferior ao de não consumidores), não nos devem deixar de preocupar sobretudo quando se associam comportamentos de risco (como violência, distúrbios alimentares, condução perigosa, fumar, inactividade física, sexo desprotegido) ao consumo de substâncias como o álcool, cannabis, anfetaminas, cocaína ou medicamentos antidepressivos ou ansiolíticos.
Relativamente a este binómio podemos constatar, pelos inúmeros relatórios como o European School Survey on Alcohol and Other Drugs ou o Recreational culture as a tool to prevent risk behaviours (IREFREA), ou os relatórios anuais do Instituto da Droga e Toxicodependência (controlo de drogas), Ministério Administração Interna (segurança interna), Direcção-Geral Serviços Prisionais (criminalidade), Autoridade Nacional da Segurança Rodoviária (sinistralidade rodoviária), Instituto Nacional de Medicina Legal (mortes associadas aos consumos), Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (epidemiologia VIH/Sida), Comissão Nacional de Protecção de Crianças e Jovens em Risco (problemas associados a menores), entre outros dados nacionais e internacionais, que a realidade portuguesa é peremptória em revelar uma baixa percepção social do risco, nomeadamente:
- 62,4% dos jovens entre os 19-25 anos tiveram relações sexuais sob influência de álcool e 33,7% sob outras drogas;
- 54,6% dos jovens com idade média de 20 anos revela não usar nunca ou a maioria das vezes preservativo;
- Jovens entre os 20-29 anos constituem o maior grupo de risco (54% dos infractores sob condução com TAS igual ou superior a 1,2g/l) e de vítimas de sinistralidade (22% mortos, 24,2% feridos graves e 23,8% feridos ligeiros);
- 24,5% de menores de 18 anos são pais adolescentes (Portugal regista a 2ª maior taxa de gravidez na adolescência);
- O consumo de álcool em jovens com 17-18 anos é de 78%;
- 44% de infecção por VIH são relativos a toxicodependentes e maioritariamente entre os 20-35 anos;
- Aumento da criminalidade violenta em 2%;
- Não minorando os efeitos do abandono escolar em Portugal (40% contra a média europeia de 15,1%) e da taxa de desemprego +25 anos de 7,6% (incluindo recém-licenciados).
Reconhecendo a necessidade de contribuir para o incremento da educação e promoção da saúde, definida como “o processo que visa aumentar a capacidade dos indivíduos e das comunidades para controlarem a sua saúde, no sentido de a melhorar”, reforçando a responsabilidade e os direitos dos indivíduos e da comunidade pela sua própria saúde (OMS, 1986), a Dianova Portugal celebra o dia mundial da saúde criado a 7 de Abril de 1947 pela Organização Mundial da Saúde (dedicado este ano à protecção da saúde contra a mudança climática), revelando os resultados da sua última sondagem online em www.dianova.pt focalizada na prevenção do consumo de substâncias lícitas e ilícitas.
Como a própria OMS defende a saúde é um instrumento e “um direito fundamental e essencial para o desenvolvimento social e económico. A promoção da saúde é cada vez mais reconhecida como um elemento essencial para o desenvolvimento da saúde. É um processo para permitir que as pessoas tenham maior controlo sobre a sua saúde e para melhorá-la” in Declaração de Jacarta, 1997.
Realizada entre 11-12-07 e 07-04-08, com um total de 268 votos, a sondagem “Preocupa-se com os riscos de consumos de drogas do seu filho/a?” procurou avaliar o nível de preocupação de Pais em relação aos seus filhos/as sobre este domínio. Os resultados são os seguintes dados:
- 50,4% dos inquiridos respondeu afirmativamente dado desconhecer os locais que os filhos frequentam;
- 16,8% dado o desconhecimento do círculo de amigos;
- 9% porque conversa pouco com eles semanalmente;
- 5,2% porque não lhe conta os seus segredos;
- 5,2% não tem educado os filhos para as questões da saúde;
- 3,7% tem dúvidas onde gastam o dinheiro;
- 1,5% refere que os filhos desobedecem às tarefas,
- e apenas 8,2% considera que os filhos não têm problema algum.
Como refere Paul Buss “a informação, a educação e a comunicação inter-pessoal, assim como a comunicação de massas através dos Media” têm sido reconhecidas como ferramentas importantes que fazem parte da promoção da saúde de indivíduos e da comunidade, podendo “contribuir para um melhor entendimento das causas da saúde e para a construção de um discurso político e reivindicatório consistente e persuasivo que mobilize e reforce a acção da comunidade na afirmação dos seus direitos e no seu confronto com o Estado”.
É neste âmbito que a Dianova procura não só avaliar os determinantes de saúde relacionadas com a problemática da toxicodependência, numa óptica de prevenção de comportamentos de risco e de educação para a saúde, mas também alertar para as consequências deste fenómeno a prazo e da necessidade de promoção de uma cultura de prevenção integrado na actualidade para minorar os danos e as despesas futuras que podem (e devem) ser canalizadas para outras áreas de maior interesse da sociedade em geral.











