Dianova

Conferencia internacional debate toxicodependencias em Portugal

DIANOVA INTERNATIONAL REÚNE MAIS DE 150 ESPECIALISTAS E CONVIDADOS NACIONAIS E INTERNACIONAIS PARA DEBATER A IMPORTÂNCIA DAS REDES SOCIAIS E DOS PRINCIPAIS DESAFIOS NO SECTOR DAS TOXICODEPENDÊNCIAS

  • Maurizio Coletti, Consultor do Ministério Assuntos Sociais Italiano apresenta o tema “Padrões de Consumo e Mudanças nas Práticas de Intervenção” 
  • Domingo Comas, Presidente da Fundação Atenea – Grupo GID apresenta o tema as diferenças e convergências “Jovens do mundo actual”
  • Norberto Martins, Magistrado e Coordenador Centro do Direito da Família e Criança apresenta “Delinquência Juvenil: as Respostas do Direito”
  • Elena Goti, Mestre em Administração de ONG e Consultora Dianova apresenta o tema “Redes e Qualidade”

Lisboa, 25 de Junho de 2007 – Reuniram-se a 21 de Junho no CCB vários especialistas e convidados nacionais e estrangeiros ligados às áreas da Sociologia, Justiça, Política Nacional e Internacional, para participar na conferência internacional “Rede, Cooperação e Inovação no Terceiro Sector”, evento no qual foi analisado e debatido o sector das toxicodependências e a importância que as redes colaborativas desempenham no incremento da eficiência e da eficácia das intervenções junto desta problemática.

Sendo uma problemática que afecta no mundo, segundo Relatório Anual da UNODC 2006, mais de 200 milhões de consumidores entre os 15 e 64 anos de idade (correspondendo a 4,9% da população mundial) e dos quais cerca de 25 milhões (0,6% da população) são toxicodependentes. A substância psicoactiva mais consumida é a cannabis (162,4 milhões de consumidores), seguida pelas anfetaminas (25 milhões), opiáceos (15,9 milhões), cocaína (13,4 milhões) e ecstasy (9,7 milhões).

Estes consumos dão origem a um mercado ilícito de drogas estimado em 13 mil milhões de dólares (produção), 90 mil milhões (vendas) e 322 mil milhões (receitas), valor superior ao PIB de 88% dos países a nível mundial, com as maiores receitas provenientes da cannabis 142 mil milhões; cocaína 71 mil milhões; e anfetaminas e estimulantes 44 mil milhões.

Atenta a esta realidade em mutação, esta conferência foi organizada pela Dianova International - ONG que tem por missão contribuir para o desenvolvimento social através da educação e da intervenção nas toxicodependências, actualmente presente em 13 países da Europa, América Latina e América do Norte –tendo por objectivos gerais dar a conhecer o impacto da rede Dianova a nível internacional, o incremento da percepção social do risco, a optimização dos recursos públicos e privados e o aumento da eficácia das respostas assistenciais.

A sessão de abertura contou com a presença da Secretária de Estado Adjunta e da Reabilitação do M.T.S.S., Idália Moniz; Vogal do Conselho Directivo do Instituto da Droga e Toxicodependência, Manuel Cardoso; Presidente da Comissão Administrativa da Câmara Municipal de Lisboa, Marina Ferreira; Presidente da Dianova International, José Angel Muñiz; e Presidente da Dianova Portugal, Cristina Lizarza.

Sendo o grande ponto de reflexão os desafios do século XXI, nesta conferência foi debatida a necessidade de antecipar as mudanças, através da análise da inovação, da gestão do conhecimento, dos padrões de consumo e das mudanças na prática da intervenção. O compromisso com a juventude foi outro momento importante de reflexão neste encontro, no qual as convergências e divergências dos jovens no contexto global e a tendência das legislações sobre menores no âmbito da União Europeia vão ser analisados à luz dos especialistas nacionais e internacionais na matéria.

A importância das redes, da qual fazem parte agentes que baseiam muita da sua actuação nos princípios da associação e da cooperação, é vital para as ONG cujas origens e operações estão alinhadas com as dimensões chave do capital social: redes, relações e confiança e visão partilhada e normas. Organizações do tipo da Dianova lidam com numerosas redes internas e externas – desde os colaboradores, Utentes e famílias, comunidades locais, às redes de assistência social, reguladores e comunidades financeira e empresarial – através das quais desenvolvem relações e edificam a confiança que irão beneficiar em última instância os próprios Utentes da Dianova e permitir a este tipo de organizações poderem eficazmente prosseguir a sua missão, desenvolver parcerias estratégicas e incrementar relações com as distintas comunidades.

É neste âmbito que o último painel centrou-se na análise das redes e sua qualidade, sendo debatidos os benefícios e dificuldades do trabalho em rede e quais os passos que uma organização pode dar neste sentido por Elena Goti, Mestre em Administração de ONG e Consultora da Dianova International.

O evento culminou com a assinatura do Convénio Internacional Dianova, tendo em vista o reforço da cooperação entre os 13 países membros da rede: Bélgica, Canadá, Chile, Eslovénia, Espanha, EUA, Itália, México, Nicarágua, Portugal, Suécia, Suíça e Uruguai.

A conferência contou com uma exposição dos Programas de intervenção social, educativa e de tratamento das toxicodependências, e com a exibição do vídeo clip “Quem me leva os meus fantasmas” do Pedro Abrunhosa que gentilmente ofereceu exemplares para oferta aos participantes.

A Dianova agradece o patrocínio da Mediahealth Portugal, consultora de comunicação, a nível da assessoria de imprensa desta conferencia.

 

Panorama nacional das toxicodependências

A Situação em Portugal das Drogas apresenta um quadro preocupante, pelos novos contornos que os padrões de consumo actuais das drogas sintéticas e estimulantes (ecstasy, anfetaminas, cocaína e cannabis) estão a gerar a nível de aumento de prevalência de doenças mentais, saúde pública e criminalidade, entre outras. Incrementar a percepção social do risco é uma necessidade em absoluto, bastando para tal ter em conta os seguintes indicadores:

  • Taxa mais elevada do que a média UE de consumo problemático de drogas (sobretudo opiáceos) entre os 15-64 anos 0,9% = 100.000 toxicodependentes;
  • Segundo país da UE com maior incidência de HIV/Sida (+30.366 notificados, dos quais 45% toxicodependentes por via endovenosa) e +150.000 pessoas HVC+ (Hepatite C);
  • Cerca de 20% com problemas relacionados com alcoolismo = 1.2 milhões problemáticos e 800.000 alcoólicos;
  • Maior taxa de encarceramento da UE = 13.152 reclusos, com 53% dos crimes associados à toxicodependência, representando um encargo público mensal 9.5 milhões de Euros;
  • Retrato Jovens: 24,5% são pais com -18 anos, 43% têm problemas alcoolismo, 16% doença mental, 13,8% pais toxicodependentes;
  • 156 mortes: 69% opiáceos, 49% cocaína e 10% canabinóides; associação com álcool 33%.
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