41 Utentes admitidos e 27 altas supõem uma taxa de reposição fortemente positiva de 1,52 relativamente à variação de Utentes que permanecem nos dispositivos Dianova
Torres Vedras, 31 de Agosto de 2006 – A Associação Dianova, especializada na prevenção, tratamento e reinserção das toxicodependências, registou em 2005 um crescimento significativo de 46,4% a nível de admissões de Utentes a tratamento em Comunidade Terapêutica Dianova, num total de 41 Utentes admitidos, tendo contribuído para este incremento 4 factores fundamentais:
- Celebração de protocolo de convenção de camas (40 camas) com o Instituto da Droga e Toxicodependência no início de 2005, permitindo que pessoas em situação de desfavorecimento socioeconómico acedessem aos serviços da Dianova;
- Obtenção da Certificação em Gestão da Qualidade ISO 9001:2000 da Comunidade Terapêutica Quinta das Lapas, que se traduziu na corroboração e incremento da qualidade dos serviços prestados aos Utentes;
- Equipa multi-disciplinar especializada, dinâmica e empenhada na ajuda adequada ao desenvolvimento pessoal e integração social dos Utentes e apoio às suas famílias e às comunidades locais;
- Incremento da notoriedade da Associação potenciada pelo investimento em Comunicação – newsletter EXIT, site Dianova.pt, Campanhas de sensibilização social, entre outras – no sector dos serviços não transaccionáveis (saúde e social).
Perfil demográfico
A idade média dos Utentes admitidos foi de 30,8 anos, tendo em 2004 sido de 29,6, o que parece evidenciar um retorno exacto à coorte de 2003. Diminuiu até 7,3% os menores admitidos com menos de 20 anos, contrariamente a 2004 que tinha sido de 14,3%. 22% ingressaram com idades entre 21-25 anos tendo a maioria sido admitida entre os 26-30 anos (26,8%). Os que ingressaram por heroína têm uma idade de 29,5 anos, sendo a população admitida por cocaína como a principal droga a tratamento é mais envelhecida (36,3 anos em média).
A população portuguesa representa dois terços (68,3%) dos Utentes admitidos, traduzindo-se num crescimento face aos 39,4% da coorte de 2004; seguem-se os eslovenos (19,5%) e os suecos (9,8%), admissões resultantes de acordos estabelecidos com os Ministérios da Saúde e da Segurança Social dos respectivos países.
Tal como em 2004, 85,4% são solteiros; apenas 2,4% são casados (com idades superiores a 30 anos) e 12,2% separados ou divorciados. 58,5% vivem com os pais vs 50% em 2004, apenas 22% dos admitidos viviam sozinhos e 9,8% viviam com companheiro. Os que foram admitidos tendo como principal droga a cocaína viviam com os pais (77,8%), ao passo que por cannabis ou anfetaminas residiam em outras formas não convencionais (9,7%).
Relativamente ao nível de educação, em 2005 os que possuem 6º ano foi de 65,9% vs 67,9% em 2004 e 60,7% em 2003; e registou-se uma diminuição dos que possuem 9º ano (24,4% em 2005 contra 21,4% em 2004 e 35,7% em 2003; apenas 4,9% tinha o 12º ano em 2005, vs 7,1% em 2004 e 3,6% em 2003; nenhum dos admitidos possuía licenciatura em 2005.
78% possuem experiência laboral, um incremento significativo relativamente aos 53,6% na coorte de 2004. A idade média de ingresso no mundo laboral é de 20,4 anos face aos 20,1% em 2004. Uma boa notícia do ponto de vista legal e social é a notável diminuição dos que começaram a trabalhar antes dos 16 anos: 6,3% em 2005 vs 13,3% em 2004. 28,1% permanece menos de 1 ano no emprego, 46,9% entre 1 e 4 anos e 25% havia permanecido mais de 4 anos. A permanência mais prolongada verifica-se nos Utentes com mais de 30 anos ou admitidos com cocaína como droga principal.
Historial de Consumos
Os Utentes admitidos em 2005 revelam um perfil maioritariamente policonsumidor com 6 ou mais substâncias (68,3%) vs 19% em 2004 e 58% em 2003; apenas 7,3% consumia até 3 substâncias, 9,8% quatro e 14,6% até cinco substâncias. Em 2004 o consumo de heroína era generalizado (85,7%) registando-se uma diminuição em 2005 (75%), seguidas pelo consumo de cannabis (85,7%’05 vs 75%’04), álcool (78,6%’05 vs 60,7%’04) e cocaína (82,1%’05 vs 67,9%’04, e às quais se junta tabaco (75%’005 vs 32,1%’04). O consumo de anfetaminas, ecstasy e barbitúricos cresceu em 2005, respectivamente, 39,3%’05 vs 21,4%’04, 25%’05 vs 17,9%’04 e 46,4%?05 vs 25%’04.
Mais de metade dos admitidos em 2005 (53,6%) a heroína foi a droga que motivou o tratamento, uma descida face aos 71,4% na coorte de 2004. Contrariamente, verificou-se uma subida por cocaína: 22% em 2005 vs 7,1% em 2004. Aparece em força em 2005 o tratamento motivado pela cannabis (9,8%), traduzido em 1 em cada 10 admitidos.
A heroína é a principal causa de tratamento em Utentes com menos de 30 anos, tendo os consumidores de cocaína mais de 30 anos e os de cannabis com idades inferiores. A idade média de início de consumo é de 18,9 anos, em que 29,3% começaram aos 16-17 anos, 26,8% aos 18-19 anos.
Os consumos são de 6-10 anos entre os Utentes com idades 26-30 anos e mais de 15 anos entre os com idades a partir dos 35 anos. São mais prolongados os tempos de consumo de cocaína ( média de 16,3 anos) vs os de heroína (10,1 anos). A via de consumo em 2005 foi de 31,8% intravenoso heroína vs 50%’04 e 59,9% em 2003, consolidando-se o consumo fumado como a via mais utilizada passando de 39,3% em 2004 para 53,7% em 2005.
Tratamentos anteriores
Aumenta significativamente a frequência de admitidos pela 1ª vez a tratamento: 10,7% em 2004 vs 19,5% em 2005, particularmente entre Utentes com menos de 25 anos, admitidos por cannabis e álcool como drogas principais. Incrementaram igualmente os multi-reincidentes: 34,1% já tinham efectuado 4 ou mais tratamentos em 2005 vs 14,3% em 2004, traduzindo-se numa média de 4,6 programas anteriores vs 2,2 em 2004; constituindo os admitidos por cocaína os que mais tratamentos realizaram (6,2).
56,1% já tinham efectuado tratamento em Comunidade Terapêutica vs 50% em 2004 e 46,4% em 2003; incrementaram os que receberam programas de metadona (39%), o dobro do que em 2004; 24,4% tratamentos ambulatórios, 17,1% centros de dia e 36,6% outros tratamentos.
Dados sanitários e legais
Diminui a frequência de admitidos com tratamento psiquiátrico (19,5% vs 32,1% em 2004), registando-se maior afluência por cannabis ou cocaína como droga principal. Duplicou os admitidos com tentativa de suicídio (225) particularmente com mais de 30 anos (42,9% entre os 31-35 anos). 36,6% eram HVC+ e 5% registavam HIV+, Tuberculose ou DST.
39% tinham problemas judiciais vs 32,1% em 2004, tendo estado detidos com idades inferiores a 25 anos ou superiores a 35 anos.
Evolução do tratamento
Em 2005 foram admitidos 41 Utentes e registaram-se 27 altas, supondo uma taxa de reposição (equilíbrio anual admissões/altas) fortemente positiva de 1,52 relativamente à variação de Utentes que permanecem nos dispositivos Dianova.
A causa mais frequente foi alta terapêutica (37,1%); 25,9% interromperam o tratamento antes de 3 meses; 7,4% interromperam tratamento após estada em programa com mais de 3 meses e outros 7,4% tiveram alta motivada por expulsão.
As altas terapêuticas foram mais frequentes entre Utentes com 31-35 anos e as interrupções antes de 3 meses verificaram-se nos Utentes com mais de 35 anos.
Foi entre os que foram admitidos por heroína como droga principal que se verificou a maior percentagem de altas terapêuticas (mais de metade) e 50% dos admitidos por cocaína efectuaram uma interrupção antes dos 3 meses.
A média de permanência de tratamento foi de 6,8 meses, traduzida numa ligeira descida relativamente a 2004 (7,1 meses).
Nota: Os dados apresentados fazem parte do Relatório Anual DUSNAT 2005, elaborado pelo sociólogo José Carrón.











